Vitória – Centro de Reabilitação e Terapia Neuromotora Intensiva

Convulsão: conheça os tipos e saiba o que fazer perante uma crise.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A convulsão nada mais é que uma atividade elétrica anormal do cérebro. Essa atividade anormal pode passar despercebida ou, em casos mais graves, pode produzir uma alteração ou perda de consciência acompanhada de espasmos musculares involuntários – que é definido como crise convulsiva ou convulsão. As convulsões geralmente vêm de repente e variam em duração e gravidade. A convulsão pode ser um evento único ou acontecer repetidas vezes. Crises recorrentes caracterizam o diagnóstico de epilepsia. As crises epilépticas podem afetar um ou os dois lados do cérebro. Os sintomas podem durar de alguns segundos a muitos minutos por episódio.

Tipos de Crises Convulsivas

Crises generalizadas:

Acontece quando os dois lados do cérebro são afetados. Os tipos de convulsão generalizada mais comuns incluem:

Crises de ausência (pequeno mal): Têm poucos sintomas físicos, geralmente se manifestam deixando a pessoa com o olhar perdido por alguns segundos. Você não consegue chamar atenção da pessoa durante esse tempo.

Tônico-clônicas (grande mal): tem associação com a perda súbita de consciência. A fase tônica de caracteriza por endurecimento dos músculos, já a fase clônica envolve movimentos repetitivos e rítmicos (tremores) que envolvem ambos os lados do corpo ao mesmo tempo. A crise tônico-clônica generalizada também é chamada de crise convulsiva ou, simplesmente, convulsão.

Convulsões focais:

As crises focais (ou parciais) são divididas em parciais simples, parciais complexas e aquelas que evoluem para crises generalizadas secundárias. A diferença entre as crises simples e complexas é que, durante crises parciais simples, os pacientes mantêm a consciência; durante crises parciais complexas, eles perdem a consciência.

Crises parciais simples são subdivididas em quatro categorias de acordo com a natureza de seus sintomas: motor, autonômico, sensorial ou psicológica. Os sintomas motores incluem movimentos como espasmos e rigidez. Os sintomas sensoriais decorrentes de crises envolvem sensações estranhas que afetam qualquer um dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar ou tato).

Convulsão febril:

Ocorre nas primeiras 24 horas de febre, sendo mais comum em crianças menores de 5 anos. É causada pelo aumento da temperatura corporal, que afeta a função cerebral e promove uma resposta incomum.

Felizmente, esse tipo de convulsão é inofensivo e costuma passar quando a febre é resolvida. No entanto, é importante que os pais tomem os cuidados necessários para que a criança não se machuque durante o ataque, além de levá-la ao médico o quanto antes para investigar e tratar a febre.

Dificuldade para identificar o tipo de crise convulsiva? Filme e mostre ao médico.

Nos casos de dificuldade em classificar ou explicar as crises, os pais podem filmar, ou pedir para que alguém filme. Dessa maneira fica mais fácil para que o médico interprete do tipo de crise, intensidade e duração.

Eletroencefalograma (EEG)

Existem vários exames, que podem detectar a convulsão aliada ao histórico do paciente. O mais comum é o  eletroencefalograma que registra a atividade elétrica do cérebro por um determinado período de tempo e pode ajudar a ver anormalidades nessa atividade, demonstrada, geralmente, por picos de onda e ondas anormais (como ondas produzidas durante o sono enquanto o indivíduo está acordado).

Saiba o que fazer quando uma pessoa estiver tendo uma crise convulsiva

Primeiros socorros

É muito importante a realização de atendimento de primeiros socorros de qualidade, para que a pessoa não venha a sofrer qualquer outra complicação decorrente da convulsão. Deve-se chamar ajuda quando a pessoa convulsiona por mais de 4-5 minutos e não tem sinais de melhora. Nesses casos, dá-se o nome de estado de mal epiléptico, no qual a convulsão não para.

O que fazer:

  • Mantenha-se calmo e acalme as pessoas ao seu redor;
  • Evite que a pessoa caia bruscamente ao chão;
  • Acomode o indivíduo em local sem objetos dos quais ela pode se debater e se machucar;
  • Utilize material macio para acomodar a cabeça do individuo, como por exemplo; um travesseiro, casaco dobrado ou outro material disponível que seja macio;
  • Posicione o indivíduo lateralemnte de lado de forma que o excesso de saliva ou vômito (pode ocorrer em alguns casos) escorram para fora da boca;
  • Afrouxe um pouco as roupas para que a pessoa respire melhor;
  • Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência;
  • Ao término da convulsão a pessoa poderá se sentir cansada e confusa, explique o que ocorreu e ofereça auxílio para chamar um familiar. Observe a duração da crise convulsiva, caso seja superior a 5 minutos sem sinais de melhora, peça ajuda médica;
  • É normal que a pessoa durma após a crise.

O que não deve ser feito durante a crise convulsiva: 

  • Não impeça os movimentos da vítima, apenas se certifique de que nada ao seu redor irá machucá-la;
  • Nunca coloque a mão dentro da boca da vítima, as contrações musculares durante a crise convulsiva são muito fortes e inconscientemente a pessoa poderá mordê-lo;
  • Não jogue água no rosto da vítima.

Medicamentos para convulsão:

Os medicamentos são usados para prevenir crises convulsivas e são de uso contínuo, ou seja, não devem ser interrompidos somente porque o paciente apresenta melhora na quantidade de convulsões. É importante respeitar a dose e frequência de administração durante o dia.

São indicados apenas quando a pessoa apresenta mais do que um quadro de convulsão que não seja causado por causas reversíveis (como alterações metabólicas).

Alguns medicamentos prescritos pelos médicos são:

O paciente pode ter uma boa qualidade de vida quando se utiliza o medicamento respeitando as doses e realizando consultas frequentes ao médico. Qualquer alteração no quadro do paciente, o médico deve ser consultado.

 

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